sábado, 29 de março de 2014

Cantiga da Rua

A cantiga popular, ao passar,
Todos a julgam banal, e afinal
Vai sorrindo à própria dor, dizendo, em trovas de amor,
O seu destino fatal.

Cantiga da rua, das outras diferente,
Nem minha, nem tua, é de toda a gente.
Cantiga da rua, que sobe, flutua, mas não se detém,
Inconstante e louca, vai de boca em boca, não é de ninguém.

A pobreza é mais feliz, porque diz
Em voz alta o seu pensar, a cantar;
E é à rua que ela vai, como fôra à própria mãe,
As suas mágoas contar.

Cantiga da rua, veloz andorinha,
Não pode ser tua e não será minha.
Cantiga da rua, jamais se habitua aos lábios de alguém,
Vive independente, é de toda a gente, não é de ninguém

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